Neste dia 20 de novembro, Noticia publicada pelo site Superesportes foi atrás de respostas para essa pergunta

Em todas as datas importantes do calendário, uma situação se repete. Clubes de futebol se manifestam por meio de redes sociais, apoiando a causa que marca aquele dia. Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, não deve ser diferente. Mas é só isso? O envolvimento dos clubes de futebol – entidades que exercem grande influência sobre a coletividade – nas causas sociais deve ficar só no âmbito digital? O Superesportes foi buscar a resposta.

O Bahia foi o primeiro a romper a barreira da internet. Em 2018, sediou o lançamento do Relatório Anual da Discriminação Racial no Futebol, em parceria com o Observatório da Discriminação Racial no Futebol. Em 2014, o Tricolor já se diferenciava ao lançar uma “mascota” negra, a “Lindona da Bahêa”.

Neste ano, o Tricolor de Aço vai além, por meio da campanha “Dedo na Ferida”. O Bahia irá a empresas e órgãos governamentais levar treinamentos e debates sobre igualdade racial e racismo estrutural para a diretores, gestores e funcionários.

“A luta contra o racismo e pela igualdade racial é de toda sociedade e deve ocorrer de diversas maneiras. As redes sociais são importantes, mas é necessário ir para o campo da prática. Indagar por que o racismo estrutural define os espaços em que os negros irão ocupar. Quais medidas podemos adotar de maneira individual e coletiva para promover igualdade racial? O Bahia vai trabalhar o debate do racismo estrutural. Iremos promover uma série de ações para colocar o dedo na nossa ferida”. As declarações são de Tiago César, coordenador do Núcleo de Ações Afirmativas do Bahia, em entrevista ao Superesportes.
E os clubes mineiros?
No dia 12 de novembro, o Atlético lançou a campanha #DoPretoEDoBranco. Nas redes sociais do clube, foram postados vários depoimentos relevantes de atletas e funcionários do Galo sobre o racismo.

ma atitude prática do clube foi o apoio oferecido pelo presidente Sérgio Sette Câmara ao segurança da Minas Arena, Fábio Coutinho, vítima de injúria racial de dois torcedores atleticanos no clássico contra o Cruzeiro. Além disso, os agressores foram expulsos do quadro de sócios-torcedores do Galo na Veia.

Após o clássico do último dia 10, os atleticanos Adrierre Siqueira da Silva e seu irmão Natan Siqueira Silva proferiram injúrias raciais contra o segurança, que estava a trabalho no Mineirão. O primeiro cuspiu no rosto de Fábio e disse, em tom agressivo: “Olha a sua cor!” Nathan é acusado de ter chamado Fábio de “macaco”. Após os irmãos prestarem depoimento à Polícia Civil, Nathan afirmou que se referiu a Fábio como “palhaço”.

Para Sérgio Sette Câmara, “o que o Atlético pode fazer é o que o Atlético fez. Dar a um caso seríssimo, como o de injúria racial que ocorreu, a repercussão que o caso merece, indo além das redes sociais”.

No dia 14 deste mês, o Cruzeiro lançou a ação Cartão Vermelho para o Racismo. Em seu site oficial, o clube afirmou que é preciso falar sobre racismo e revelou que procurou “ouvir negros que militam na causa e têm conhecimento do assunto para moldar a campanha”. Na página oficial da Raposa, há um link para um questionário onde os torcedores podem responder se já presenciaram casos de discriminação racial nos estádios.

A campanha celeste prevê, ainda, a realização de debates sobre o tema, e é realizada em parceria com o grupo empresarial Todo Black É Power, dedicado à emancipação da população negra por meio do empoderamento estético, econômico e cultural.

Zezé Perrella, gestor de futebol do Cruzeiro, pretende seguir com campanhas de conscientização contra uma situação que, segundo ele, alastra-se em alta velocidade no futebol em diversos países. Para o gestor, as punições contra os infratores também devem ser aplicadas.

“A Fifa e as federações nacionais precisam apertar ainda mais o cumprimento integral das leis, que são severas. As autoridades locais, a mesma coisa. O Cruzeiro, além de campanhas em suas redes sociais, têm participado de outros movimentos da sociedade contra os diversos atos discriminatórios não só o racismo, mas homofóbicos, contra a mulher e outros mais. Temos usado jogadores em campanhas raciais. Combatemos na mídia qualquer ato que tenha ligação direta ou indireta com o Cruzeiro. Estamos atentos e vamos continuar trabalhando para mudar essa cultura ignorante. Além de sermos um país com percentual majoritário de descendentes afros, os clubes de futebol também possuem em seus quadros uma grande escala de trabalhadores e atletas negros”, ponderou Perrella.

Marcus Salum, presidente do conselho de administração do América, destaca a importância das campanhas de conscientização, mas também prega que os clubes devem adotar gestos concretos no combate ao racismo.

“As campanhas feitas pelos clubes são, sem dúvida, importantes para conscientizar as pessoas. Além disso, o que deve ser feito na prática por todos é ter atitudes coerentes e totalmente contra qualquer tipo de discriminação. Não adianta falar e não fazer. Temos que ter atitudes realmente condizentes ao que é pregado nos discursos, isso é o mais importante”, disse o dirigente.

Nas redes sociais, o Coelho fez uma postagem convidando o torcedor a refletir sobre o processo histórico de discriminação racial.

Fonte e Fotos: superesportes.com.br

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